sexta-feira, 16 de julho de 2010

Você acorda.



Um dia você acorda e percebe que não sente mais seu coração apertar ao não falar com alguém; que não sente mais os calafrios que sentia, e que as borboletas que antes sentia na barriga, voaram para outro lugar longe de você.
Um dia você acorda e percebe que você não precisa mais ficar procurando um motivo pra sorrir, e que sorrir faz bem em qualquer hora do dia, e que é de graça.
Um dia você acorda e percebe que não se consegue nada ficando somente dentro de casa, que o destino não bate em sua porta e pergunta se é você que está precisando de uma mãozinha; você vai até ele.
Um dia você acorda e descobre que, para seu destino se cumprir, você tem que sair. Tem que beber, tem que dançar, tem que gritar, tem que correr, não importa o que, mas você TEM que fazer.
Um dia você acorda e percebe que lágrimas não machucam, não cortam mais assim como faziam antes; você percebe que sempre vai chorar, você só tem que decidir pelo que vale a pena.
Um dia você acorda e percebe que as filosofias e conselhos antigos já não lhe servem mais, assim como aquelas roupas antigas e usadas que você têm no armário.
Um dia você acorda e percebe que esqueceu, e por incrível que pareça, você está inteira.
Um dia você acorda e percebe que você precisa dar mais valor para as pessoas, afinal, nunca se sabe até quando elas vão estar lá para te ouvir.
Um dia você acorda e percebe que não ligou mais para saber como seus pais estão.
Um dia você acorda e percebe que, dos momentos que você teve com seus irmãos, poucos são aqueles em que vocês não brigaram; e aí, você percebe que eles são sua ponte para o passado e, talvez, seus companheiros no futuro.
Um dia você acorda e percebe que nunca mais foi ao parque para sentir o vento fresco bater em seus cabelos.
Um dia você acorda e percebe que nunca mais andou de bicicleta, e ri quando se lembra quando seus pais a ensinaram a andar em uma.
Um dia você acorda e percebe que você perdeu tempo, mas nunca é tarde para fazer um novo final.
Aylin Diaz

Sentido da vida.


Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.
É assim pra todo mundo.
Pedro Bial

Impossível


O amor eterno é o amor impossível.
Os amores possíveis começam a morrer
assim que se concretizam.
Eça de Queiroz


terça-feira, 13 de julho de 2010

O amor (não) existe.


Existe o mar, bravo, livre, solto, azul… Salgado como as minhas lágrimas, distante como o meu amor. Existe a morte, que espero ansiosa, onde cairei num sono eterno. Não mais sonharei contigo. Nunca mais serás o primeiro pensamento do meu dia, nem invadirás as minhas insónias constantes. Existe tanto para além de ti, e esse tanto, que tanto queria agarrar, foge-me. Escorre-me entre os dedos como a areia fina da praia do meu inverno. Sei de tanto que existe… E sei também que não existe amor. Não da tua parte. Existe apenas desprezo pelo que sinto. E sinto, sinto tanto! E odeio-me pelo tanto que sinto, e sinto, e sinto… A noite, triste, assombra-me e as estrelas do meu céu esfumam-se, como se esfumou a esperança. Sim, já tive esperança. Essa maldita que morreu com as palavras que nunca me disseste, com beijo que nunca senti, com o amor que não existe.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu Deus, me dê a coragem.


Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar.
Clarice Lispector

Eu odeio amar você.



Eu odeio ver seus olhos assim que fecho os meus. Eu odeio sentir meu coração acelerar ao ver seu sorriso. Eu odeio ter que acordar de manhã e ver que você não está ao meu lado, e que nunca estará. Eu odeio o jeito como você me mudou. Eu odeio ter você como meu vício. Eu odeio chamar por teu nome e saber que você nunca irá ouvir. Eu odeio ter te tornado minha vida. Eu odeio depender de você para viver. Eu odeio saber que sou capaz de trocar a eternidade para tocar em você. Eu me odeio por ser tão dependente de você. Eu odeio esse amor que cresce á cada dia, involuntariamente. Eu odeio ver em você um motivo pra sorrir. Eu odeio o fato de você ter total poder sobre mim. Eu odeio sua presença nos meus sonhos todas as noites. Eu odeio implorar por seu abraço em um momento difícil. Eu odeio fingir que você está comigo em todas as horas. Eu odeio te defender com unhas e dentes. Eu odeio não saber mais gostar de ninguém sem ser você. Eu odeio procurar seu rosto pelas ruas. Eu odeio procurar sua foto nas folhas das revistas. Eu odeio ver seu nome escrito em todas as folhas do meu caderno. Eu odeio ter minhas paredes cobertas de fotos suas. Eu odeio seu nome tatuado em meu coração. Eu odeio pensar que você também pode odiar amar alguém, alguém que não sou eu. Eu odeio sentir ciúmes de quem te deseja. Eu odeio não saber o que se passa em sua cabeça. Eu odeio corar ao olhar seus olhos. Eu odeio ter você presente em meu pensamento o dia inteiro. Eu odeio colocar seu nome em todas as minhas orações antes de dormir. Eu odeio imaginar o calor do seu corpo junto ao meu. Eu odeio saber que alguém pode entrar em sua vida e ocupar o lugar que tanto quero que seja meu, e eu odeio querer tanto esse lugar. Eu odeio desejar tanto que você saiba quem eu sou, mesmo que for para odiar-me. Assim como te odeio.
Aylin Diaz

Suave como o vento.


Até onde as pessoas sabem sobre solidão?

Solidão não é apenas sentir que todas as pessoas possuem seus grupos, menos você. Não é você chegar no seu primeiro dia de aula em uma escola nova, e não ter amigos. Solidão não é você voltar sozinha para a casa depois de um dia de escola. Não é não ter ninguém para conversar no MSN ou para ligar. Solidão é você dormir todas as noites, desejando acordar no outro dia e descobrir que tudo foi um sonho. Solidão é você ir ao túmulo da pessoa que você mais amou na vida, e ter que encarar o fato de que ela não vai sair dali rindo por você ter acreditado nesta brincadeira este tempo todo. Solidão é você ter que acordar todos os dias, e encarar o fato de que você está viva. De que você respira. De que, apesar de sua dor ser enorme, o mundo não pára para que você conserte seu coração. Solidão é você saber que aquele corpo que você conheceu tão bem, não vai mais estar junto ao seu nos finais de semana. Solidão é você saber que nunca ouvirá aquela risada que iluminava seus dias, nem aquele sorriso que fazia seu coração disparar. Solidão não é você perder a pessoa que ama para outra pessoa. É você perder a pessoa que ama... para sempre. Solidão é você saber que, do mesmo jeito que chegou, se foi...
Suave como o vento.